Eleições americanas: para que lado vai a inovação?

As eleições americanas são um dos espetáculos mais complexos da política mundial, se estendendo por um período de quase dois anos entre o anúncio das candidaturas, as primárias e a eleição de fato. Esse processo recebe a mais ampla cobertura do mundo e envolve principalmente os dois maiores partidos do país: Democratas e Republicanos.

Embora as sociedades brasileira e a americana compartilhem algumas semelhanças em relação à organização política, são as diferenças que tornam as eleições americanas tão extensas em comparação às nossas. Lá, o presidente é eleito por um colégio eleitoral, que distribui os votos de acordo com a vitória do partido em cada um de seus 50 estados.

O processo indireto não é a única forma que os americanos têm de participar das eleições, podendo eleitores registrados decidir também quem será o candidato do seu partido. A esse processo, damos o nome de primárias, e elas funcionam de forma similar à distribuição de delegados pelo colégio eleitoral, mas são vedadas aos eleitores compromissados com uma das agremiações.

Continue a leitura deste post, entenda mais sobre o processo e saiba como a inovação é importante para que candidatos obtenham resultados melhores nessa corrida!

Como funcionam as primárias nas eleições americanas?

Ambos os partidos possuem, dentre seus filiados, aqueles que representam parcelas do seu eleitorado registrado, conhecidos como delegados. Esses delegados são figuras de destaque, como ex-presidentes e membros capazes de centralizar a vontade de uma parcela maior dos votantes, servindo para assegurar a escolha do candidato que levará o nome do partido às urnas.

Passar com sucesso pelas primárias exige vencer um número determinado de delegados (definido segundo o estatuto de cada partido e a proporção de eleitores registrados) ou conquistar o máximo de estados dentro de seu partido.

Como é o colégio eleitoral dos Estados Unidos da América?

Se as primárias já parecem complicadas, conhecer o funcionamento dessa máquina e entender as estatísticas essenciais para projetar a vitória do seu candidato é uma das coisas mais importantes quando é chegada a hora da eleição geral.

Os candidatos do Partido Republicano e do Partido Democrata (além dos candidatos independentes e aqueles filiados a outras agremiações menores, como o Partido Verde e o Libertário) se enfrentam pelos 538 delegados que compõem o United States Electoral College, ou Colégio Eleitoral dos Estados Unidos.

A vitória em cada Estado significa um número específico dessas cadeiras, que escolhem indiretamente o futuro presidente dos Estados Unidos. Quem conquista a Flórida, leva 29 delegados automaticamente, enquanto o candidato com mais votos na Califórnia consegue de uma vez  55 delegados (dados da Eleição de 2012).

Qual é o resultado do voto indireto e a necessidade de vencer os swing states?

Quem consegue a maior parte dos delegados alcança a presidência, mas nem sempre é necessário conquistar a maioria dos votos para isso. É que ao perder em um estado, o candidato perde todos os delegados dali.

Além disso, cada região tem uma relação intensa e tradicional de identificação com um determinado partido. Entender o comportamento de Estados chave conhecidos como swing states (aqueles que não demonstram fidelidade a um partido específico e tendem a decidir a eleição) e investir esforços na conquista dos eleitores (uma espécie de análise mercadológica) daqueles lugares é apenas uma das implicações que tornam a inovação exigência para vencer as eleições americanas.

Qual é a importância do Big Data para analisar o comportamento do eleitor?

Big Data surge como uma tendência interessante a incorporar na mineração de dados para a política, por entender um volume considerável de dados com velocidade e variedade. Com ele é possível cruzar informações como localização, demografia e opinião, além de manifestações em redes sociais, que servem para medir a eficiência da mensagem de seu candidato.

A participação política cresceu nos últimos anos graças a ferramentas como blogs, listas de e-mail e portais públicos que realizam consultas a respeito da utilização do orçamento dos municípios. O aumento desse engajamento dá mais informação sobre o que o eleitor busca nos seus representantes e ajuda as campanhas na hora de moldar seus planos de governo e pensar formas inteligentes de conquistar esse eleitorado.

Como é o engajamento e como ele influencia nos resultados das eleições americanas?

Como o voto não é obrigatório, incentivar a participação da população no processo democrático é tão relevante quanto convencê-la a votar por seu candidato. A quantidade de eleitores que aparece para dar seu voto pode influenciar o resultado a favor de um dos partidos majoritários.

Democratas tendem a vencer não apenas em estados mais populosos e costais, mas também quando várias pessoas decidem votar, afiliadas ou não a um partido. Quando poucos comparecem às urnas, os republicanos têm vantagem, já que os votos tendem a ser mais conservadores.

Para aumentar a presença das pessoas na eleição o registro automático de eleitores parece ser a grande tendência em 2016. A Ford Foundation elencou recentemente as principais maneiras de fazer o eleitor comparecer à urna e levanta outras formas de adaptar o sistema de registro de eleitores para incentivar a participação política dos mais jovens. Alguns resultados já são possíveis de visualizar por meio do relatório em inglês.

Tendências de inovação: como Barack Obama dominou a internet?

Antes da campanha de Obama o uso efetivo da ciência da informação para definir estratégias e localizar o eleitor que precisa ser conquistado era raro, e boa parte das estatísticas de campanha se concentravam em pesquisas e modelos de previsão. Com o uso de big data, o político conseguiu determinar ações específicas com custo menor e mais eficiente em termos de conversão, orientando com quem falar e como, otimizando a obtenção de resultados a cada discurso.

O “Yes We Can” atropelou Hillary Clinton, pois parecia espontâneo, e era. Embora muita matemática tenha sido empenhada em sua transformação no fenômeno alcançado. Como o financiamento de campanha é tão importante para uma eleição quanto o engajamento de eleitores, outro dos trunfos da campanha de Barack Obama foi identificar eleitores dispostos a contribuir com esse projeto de forma voluntária.

Aqui no Brasil, as doações de pessoas jurídicas foram proibidas a partir das Eleições 2016, o que torna a necessidade de nossas campanhas se inspirarem nesses modelos preditivos numa questão de tempo.

Como é a participação popular, os blogs e os fenômenos eleitorais?

Este ano, mais que nunca, os reflexos da participação popular se fizeram perceptíveis em nossas vidas on-line. O fenômeno dos apoiadores de Bernie Sanders, que conseguiram viralizar sua pequena campanha para a presidência e alçar o político e senador independente pelo Estado de Vermont em um ícone da contracultura.

Criando produtos, cartazes e material on-line para entender as propostas de Bernie, principalmente no que se referia às universidades gratuitas (uma raridade por lá), esses entusiastas conseguiram levar o candidato bem adiante nas primárias das eleições americanas, oferecendo um desafio à candidata do establishment, Hillary Clinton.

Conseguiu entender melhor o funcionamento das eleições americanas e como elas apresentam oportunidades de inovação? Ficou com alguma dúvida? Deixe um comentário!

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