A diferença do conceito de inovação no Vale do Silício e no Brasil

De acordo com o dicionário Michaelis, inovar significa “fazer inovações”, “introduzir novidades”, ou ainda “produzir ou tornar algo novo”. O conceito de inovação é bem semelhante a essa ideia, já que ele prega a introdução de produtos e processos que ofereçam melhorias significativas à vida das pessoas que o utilizam.

No mundo corporativo, o conceito de inovação se torna cada dia mais forte, à medida que empresas de renome como Apple, Google e Facebook se destacam por modificar os hábitos de consumo, vislumbrando o que seus usuários necessitam antes mesmo que eles percebam. Com isso, os negócios se fortalecem e essas empresas parecem sempre estar na dianteira da inovação tecnológica, obrigando as demais a jogarem com suas regras.

Apesar de esse estilo de gestão já estar bem difundido ao redor do mundo, muitas empresas de países menos desenvolvidos, como o Brasil, apresentam dificuldades para descobrir como inovar nas suas áreas e implementar as mudanças e melhorias necessárias para se destacarem no mercado. Algumas até acham que só é possível ser inovador no campo da tecnologia, o que não é verdade. Mas, para entender essa questão, é preciso se aprofundar um pouco mais no assunto. Entenda:

O que é inovação no Brasil?

O Brasil, infelizmente, não é um país que se destaca na produção de ideias inovadoras. O estudo Innovation 1000, feito pela Booz & Company em 2010, revela que estamos na 17ª posição entre os países que buscam essa estratégia, sendo responsáveis por apenas 0,39% da verba destinada à pesquisa e ao desenvolvimento em todo o mundo.

Além disso, sofremos com o descrédito dos empresários locais. Uma pesquisa de 2015 realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) revelou que 62% dos 100 mais proeminentes líderes de indústrias no Brasil acha que o nível de inovação do nosso país é baixo ou muito baixo. Tendo em vista esses dados alarmantes, devemos pensar: por que isso acontece?

Para criar ideias inovadoras nas empresas, é preciso em primeiro lugar, de mão de obra especializada. Algumas universidades do país, como a Universidade de São Paulo, a Universidade de Campinas e a Universidade Estadual Paulista, por exemplo, seriam capazes de fornecer esses profissionais. Porém, somente 6% dos recursos voltados para a pesquisa nessas instituições têm origem da iniciativa privada.

Isso significa que, entre outras coisas, os pesquisadores brasileiros não têm uma cultura do empreendedorismo tão aflorada, pois a universidade está distante das grandes empresas. Apesar de sermos um país com um grande número de empreendedores individuais, não temos o costume de implementar o estilo de vida criativo e inovador característico desse perfil. Nas poucas vezes que um empreendedor chega às empresas, sofre com a falta de qualificação ou até mesmo com a burocracia, que o impede de ir além.

Ao contrário do que se pensa, o Brasil tinha tudo para ir bem no quesito inovação. É um país populoso, com grande diversidade biológica e com um número alto de empreendedores. Apesar dos resultados pouco animadores, há setores que se destacam positivamente nessa área, como a agronegócio. A variedade climática e geológica do nosso país impediu que as técnicas de plantio e colheita de outros países fossem simplesmente replicadas. Em uma nação que tem grande parte do seu PIB originário do agronegócio, o caminho encontrado para garantir o sucesso dos negócios passou pela pesquisa e pela inovação.

Por isso, para dar uma resposta mais afirmativa sobre o que é inovação no Brasil, é preciso um olhar mais aprofundado nos desafios que essa atitude ainda tem que superar no país.

Os desafios da inovação no Brasil

Na mesma pesquisa do CNI, 89% dos entrevistados afirmaram que os pesquisadores recém-saídos da universidade não estão plenamente preparados para o mercado de trabalho. Esse é um dos problemas que o Brasil precisa enfrentar para atingir uma posição competitiva no mercado da inovação.

Mesmo quando a educação é de qualidade, não é raro que jovens saídos das melhores universidades do país estejam em busca de seu primeiro emprego, o que pode os deixar inseguros para assumir uma posição de empreendedor dentro de uma empresa.

Dificuldade na obtenção de patentes

Outro ponto importante nessa busca são as patentes. Uma empresa que deseje se tornar inovadora precisa pensar o universo ao seu redor de outra forma — não apenas seus processos. Assim, é claro que mudar formas de realizar o trabalho de um jeito que fique mais simples ajuda, só que o foco da inovação é produzir ideias que possam ser patenteadas, que se tornem um diferencial para a empresa. Nesse mesmo problema, há a questão do registro de patentes no Brasil, que é um processo lento e burocrático.

Nem tudo é fácil e rápido

As empresas brasileiras, de modo geral, também têm uma cultura de planejamento estratégico que foca em resultados de curto prazo e de baixo custo. Isso tem origem nas constantes crises econômicas que o país enfrenta, que acabam minando projetos longos e dispendiosos. É claro que, quando possível, esses fatores podem estar aliados a uma ideia inovadora. No entanto, isso não acontece sempre.

Quando uma nova ideia criativa e com potencial é engavetada por falta de verba ou por falta de confiança da gerência, o funcionário empreendedor pode se sentir menos estimulado a seguir com essa proatividade. O resultado são profissionais engessados, desmotivados, pouco originais, que fazem somente o necessário para garantir suas metas — atitudes que nenhuma empresa inovadora deseja.

Falta de incentivos governamentais

Não é raro as empresas brasileiras encontrarem entraves financeiros e burocráticos para poderem ser inovadoras. Tudo isso poderia ser resolvido se o governo do país tivesse algum incentivo para esse tipo de negócio. Por exemplo, mais linhas de crédito disponíveis para micro e pequenas empresas. Empresas muito inovadoras — do tipo que têm ideias radicais e revolucionárias, que são as que realmente importam nesse ramo — costumam ter um grande risco atrelado. Por isso, encontrar investimentos costuma ser bem mais difícil.

Outra possibilidade seria o aumento de parcerias entre empresas e universidades, que além de possibilitar profissionais mais bem treinados, seria uma ótima fonte de melhorias qualitativas nas pesquisas feitas no ambiente acadêmico.

Redução na taxa tributária das empresas consideradas inovadoras, nem que fosse apenas para as que tivessem um objetivo que beneficia de forma direta a sociedade, também seria um incentivo bastante bem-vindo para fazer com que o dinheiro desses negócios fosse melhor aproveitado em pesquisas, e não em impostos.

Dificuldade de implantar a cultura inovadora

Algumas empresas estão tão acostumadas a não ter funcionários participativos e solucionadores de problemas que passam a simplesmente não contar com essa possibilidade. Quando percebem que estão sendo deixadas para trás pela concorrência, podem enfrentar uma certa resistência por parte dos colaboradores e, até mesmo, desorientação nesse sentido. Muitos empresários não sabem como estimular esse tipo de atitude via plataformas colaborativas, por exemplo, e acabam perdendo a chance de incentivar a inovação nos seus negócios.

Saiba como inovar com sucesso em 7 passos

Agora que você já conhece os desafios que uma empresa enfrenta para se tornar inovadora no mercado brasileiro, pode até estar achando que esse processo é impossível. Mas, acredite, não é! Ter um estilo de gestão focado na melhoria do sistema de produção e na solução de problemas já faz uma diferença incrível. Porém, existem melhores formas de guiar um empresário ou gestor nesse caminho. No entanto, antes disso, é preciso decidir qual tipo de inovação sua empresa deseja seguir:

  • Need Seekers (buscadores de necessidades)
    O objetivo primordial desse tipo de empresa é localizar e satisfazer possíveis necessidades dos clientes, antes mesmo que eles se deem conta dela. Uma vez identificado um problema, o ideal é que o produto solucionador seja disponibilizado no mercado o mais rápido possível. Entre as empresas que seguem esse estilo estão a Apple, o Facebook e a 3M.

  • Market readers (leitores de mercado)
    Um dos modelos mais simples de ser adotado foca em melhorar produtos e serviços já disponíveis no mercado e com grande procura. Costumam ficar de olho na competição para lançar versões mais completas ou com melhor custo-benefício de produtos recém-lançados.

  • Technology readers (leitores de tecnologia)
    Sua principal característica é contar com o apoio da equipe de engenharia para desenhar as próximas inovações, que contam com uma grande influência da tecnologia, seja para resolver problemas ou para melhorar produtos. Um dos exemplos mais famosos é o Google, que não só é líder no segmento como também detém o poder de modelar como é feito o conteúdo de toda a internet — tudo para dar uma experiência melhor aos seus usuários.

O processo para se tornar uma empresa com perfil transformador exige uma mudança de hábitos internos, que pode ser feita com os seguintes passos. Lembre-se de que algumas das soluções obtidas podem demandar investimentos no longo prazo, mas que implantá-los é a única forma de se preparar hoje para mudanças no futuro. Confira o caminho da inovação:

Identifique o problema

Toda atitude inovadora está relacionada à resolução de um problema, mesmo que este não esteja muito claro para todos os envolvidos. Pode parecer bem fácil, mas exige uma dose de análise um pouco maior: é comum que os sintomas do problema estejam visíveis, mas o ideal é buscar por suas raízes para soluções mais efetivas.

Uma técnica para encontrar essas raízes é a dos cinco “porquês”. Primeiramente, você pergunta (para si mesmo ou para um colega de trabalho): “Por que isso é um problema?”. Depois de responder, continue com o questionamento, indagando “Por quê?” a cada resposta dada. Nesse passo, você deve também selecionar os critérios de preferência para encontrar as melhores soluções para o seu problema, de acordo com as necessidades da sua empresa.

Pesquise o problema

Soluções nem sempre caem do céu para as mentes afortunadas, especialmente no mundo corporativo. O que você pode fazer para superar esse dilema? Simples: pesquisá-lo mais a fundo. Quanto mais você entende o que está acontecendo, mais fácil se torna conseguir uma solução completa. Por isso, faça buscas na internet, abra discussões em fóruns e, se preciso, apele para uma biblioteca física.

Transforme em uma pergunta

Com todo esse conhecimento em mãos, chegou a hora de começar o processo de transformação. Isso exige que você formule a pergunta a ser respondida pela resolução de problemas. “Como aumentar atitudes inovadoras na minha empresa?” é uma delas. O ideal é que a pergunta seja simples e não tenha muitas restrições, pois isso vai limitar o processo de brainstorming que vem a seguir.

Crie ideias

O momento de resolver o problema chegou. Concentre-se na pergunta acima e faça um processo de brainstorming, também conhecido como chuva de ideias. Nele, diversas soluções são propostas, independentemente de parecerem estúpidas ou não. Escreva todas em um papel até ter, aproximadamente, 50 ideias. Se preciso, divida em dois turnos de 25 ideias para dar tempo da mente descansar.

Analise os resultados

Descanse um pouco depois de escrever todas as ideias. Resgate os critérios do primeiro passo e avalie todas as ideias, uma por uma, de acordo com os critérios. Esse processo é importante, porque nem sempre a solução que você imagina ser mais criativa é a mais eficiente. Se preciso, você pode combinar sugestões para chegar em um projeto mais completo.

Desenvolva um plano de ações

Você está com a faca e o queijo da inovação nas mãos, mas ficaria surpreso se soubesse quantos planos morrem nesse estágio. Para não deixar que isso aconteça com o seu processo inovador, planeje as ações a serem tomadas para implantá-la. Prefira passos simples, especialmente se as ações forem complexas, pois mudanças drásticas podem intimidar a implementação.

Siga os passos

Não se intimide pelo processo, que pode ser longo. Os problemas da sua empresa precisam ser resolvidos e, muitas vezes, é necessário uma dose de empreendedorismo e trabalho árduo para isso. Faz parte da função de um bom gestor não deixar que projetos necessários sejam abandonados pelo caminho!

Vale do Silício: os segredos do sucesso

Caso você se sinta desmotivado ou precise de inspiração, vale a pena conhecer um dos melhores exemplos do poder da inovação em todo o mundo: o Vale do Silício. A região, situada da Baía de São Francisco, na Califórnia, é reconhecida mundialmente por seu enorme potencial de solução de problemas, sendo a maior referência quando o assunto é conceito de inovação. Porém, o que a região tem de diferente do resto do mundo para conseguir resultados tão efetivos?

Mão de obra extremamente qualificada

Esse ponto pode parecer meio batido, mas foi determinante para que o Vale do Silício se tornasse o que é hoje. Stanford, Caltech e Universidade da Califórnia são algumas das universidades que se situam na região e atraem alguns dos melhores alunos do país. Com a mão de obra especializada e a cultura inovadora das dezenas de empresas de ponta que ficam na região (Amazon, Paypal e Samsung, por exemplo), cria-se um círculo virtuoso em que todos ganham, pois os altos lucros obtidos pela cultura da inovação são reinvestidos nas universidades e nas startups da região.

Empreendedorismo no seu ápice

Um dos pontos altos da cultura americana do empreendedorismo — que deveria ser implantado em todo o mundo — é a desmitificação do fracasso. No Vale do Silício, todos buscam sonhos ousados e, é claro, nem todas as ideias dão certo. Só que lá não existe ridicularização do fracasso: os envolvidos sabem que existem muitos riscos e aceitam as falhas como parte de um processo maior de aprendizado.

Assim, as pessoas inovadoras não desistem tão facilmente, proporcionando ainda mais conhecimento para o desenvolvimento de soluções. Um bom empreendedor da área sabe que esperar sentado não vai resolver os problemas e corre atrás para viabilizar seus negócios.

Cultura coletiva

É muito difícil realizar um projeto inteiro sozinho, não acha? Um diferencial importante do Vale do Silício é que lá não existe todo esse medo da competição que encontramos em países com o Brasil. Os executivos, na sua maioria, estão abertos a diálogos com outros empreendedores para construírem novas ideias — até porque, muitos deles são investidores. Essa troca é um diferencial e tanto, pois ajuda a moldar conceitos melhores, com mais chance de dar certo.

Lá também é possível ver empresas semelhantes, em começo de carreira, trabalhando em um mesmo local. Pode parecer loucura, mas é uma estratégia para fortalecer um mercado inteiro que ainda precisa se estabelecer — o que tem funcionado positivamente com as empresas de impressoras 3D, por exemplo.

Integração de estratégias

Tudo isso é muito bonito e inspirador, mas, na prática, não garante sucesso. Esse quarto ponto diferencial integra todos os demais fatores e transforma a região em um local imbatível no quesito inovação. O Vale do Silício é muito bom em unir as ideias inovadoras às estratégias de negócio. O resultado é impressionante, pois as empresas que conseguem tal proeza costumam ter um crescimento vertiginoso, com aumento de lucros e de valor no mercado.

Plataforma colaborativa: um jeito diferente de inovar

Quem deseja implantar a cultura da inovação em uma empresa deve pensar em formas de aplicá-la ao dia a dia dos funcionários, até que ela se torne algo natural para todos eles. Uma das formas mais diferentes e atuais de estimular esse pensamento são as plataformas colaborativas.

Elas são ambientes on-line em que acontece o crowdsourcing, ou seja, várias pessoas alimentam o banco de dados ao mesmo tempo. Elas podem ser aplicadas de diferentes formas, criando uma comunidade on-line engajada em um objetivo.

No mundo corporativo, uma plataforma desse tipo pode ser usada para levar os problemas a serem resolvidos aos funcionários, independentemente do cargo que ele tenha. Além disso, é uma forma inteligente de estimular os processos criativos, pois promove o diálogo e a troca de ideias entre diferentes setores de uma mesma empresa.

Empresas em que todos os funcionários podem sugerir melhorias costumam ter resultados bastante positivos. Não é raro que profissionais de gerência tenham seu olhar mais engessado com o passar do tempo, por estarem muito acostumados a lidar com situações complexas. Pode ser que a solução para o seu problema seja simples, mas você não esteja sendo capaz de enxergar.

Benefícios da plataforma colaborativa

Apesar de ser um sistema de simples implantação, as plataformas colaborativas oferecem muitos benefícios às empresas que desejam ser mais empreendedoras. Primeiramente, porque ela difunde melhor a comunicação entre os diversos setores, acabando com fofocas e informações que ficam presas a uma única pessoa.

Os funcionários se sentem mais incorporados às decisões tomadas, o que é uma excelente forma de melhorar a motivação no ambiente empresarial. O fim da burocracia da informação também ajuda a diminuir custos operacionais, faz o tempo de criação e lançamento de um produto ser menor e faz com que todos tenham noção das etapas de gerenciamento de projeto, reduzindo atrasos e brigas.

Com o debate estimulado que acontece nesses ambientes, acaba a retenção de conhecimento, que é um problema que toda empresa vai passar um dia. Nesse modelo, todos sabem e entendem o que cada funcionário faz, facilitando até mesmo sua substituição em caso de desligamento.

Além, é claro, de deixar o ambiente de trabalho mais moderno e transparente, em que todos os envolvidos se unem para obter o sucesso da empresa e um caminho cada vez mais ágil à inovação. Quando isso acontece, as ideias fluem, a produtividade aumenta e a vantagem competitiva só tende a crescer com o passar do tempo.

Uma plataforma colaborativa é um jeito muito prático de implantar o conceito de inovação na sua empresa. Porém, de nada adianta ter um instrumento tão poderoso de criação de mudanças se a empresa não estiver preparada para sabe como inovar e levar o processo até o fim, mesmo que ele seja um pouco longo. Por isso, ensine aos seus colaboradores o que é inovação, mostre o exemplo do Vale do Silício e, acima de tudo, esteja disposto a levar os projetos que valem a pena até o fim!

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