O que as empresas precisam para fazer a inovação corporativa funcionar?

O termo inovação corporativa está muito em voga hoje em dia no mundo dos negócios. Não há como negar que a construção de uma cultura de inovação está no topo de interesses da maioria das agendas empresariais, sejam elas de quaisquer portes e atuando em que mercados atuem.

No entanto, não são todas as organizações que conseguem construir uma cultura inovadora. Gerar e manter a inovação no dia a dia frenético de hoje é um desafio que precisa ser vencido. E não é por falta de tentativa. Temos visto muitas empresas trabalhando arduamente para chegar ao ideal de inovação de tantas outras que já chegaram lá e fazem disso uma bandeira, um diferencial estratégico e competitivo. E, como tudo que gera bons frutos, não é tarefa simples.

Se você é um líder empresarial e está, nesse momento, se perguntando como tornar seu negócio mais inovador, este artigo foi feito sob medida para você. Aqui vamos refletir sobre o que é a inovação corporativa e o que é uma cultura de inovação, além de o que é possível fazer para gerar e promover a inovação nos negócios.

Preparamos uma série de dicas que já foram testadas e são amplamente difundidas pelas organizações que mais inovam em todo o mundo, inclusive apresentamos alguns casos de sucesso de marcas famosas. A ideia é apresentar os conceitos e métodos de uma forma que você consiga visualizar o que e como é possível implementá-los no seu empreendimento. Confira!

O que é inovação corporativa?

Vamos começar por relembrar o conceito de inovação corporativa — ou, ao menos, tentar demarcar uma linha de pensamento consensual.

No seu livro O Poder da Inovação – como alavancar a inovação na sua empresa, o diretor de Marketing da 3M do Brasil, Luiz Serafim, descreve a inovação como o ato de renovar, introduzir uma novidade. Ele, juntamente com outros executivos da multinacional, também acrescentam que, no contexto corporativo, trata-se de uma cultura de liberdade de criação e de incentivo à capacidade criativa e empreendedora de cada indivíduo para que, juntos, os colaboradores possam apresentar soluções novas para problemas antigos, encontrar oportunidades e acrescentar valor ao negócio.

Quando falamos de uma das companhias mais inovadoras do mundo, é interessante prestar atenção ao conceito de inovação corporativa apresentado por ela. “Muitas pessoas ainda atribuem ao termo o significado dos dicionários e continuam pensando que inovação, criatividade e invenção são a mesma coisa. No entanto, trata-se de conceitos distintos, ainda que visceralmente interligados”, provoca Serafim.

Diversos outros pensadores definem o esforço de inovar dentro das empresas como o ato de criar ou recriar modelos de negócio e construir mercados novos que vão ao encontro de necessidades humanas até então não atendidas — isso falando em todos os stakeholders, não apenas dos consumidores. Inovar também é selecionar e executar as ideias certas, implementando-as internamente e as entregando ao mercado em tempo hábil, antes que a concorrência crie algo similar ou tenha tempo de copiar.

Há uma miríade de outras explicações para a inovação no contexto empresarial. Elas todas, cada uma a sua maneira, convergem em um único ponto: a inovação corporativa precisa ser mais que um discurso, ela realmente acontece quando sua aplicação prática gera valor (comercial, reputacional, etc.).

O que é cultura de inovação corporativa?

Já uma cultura que sustenta e apoia a inovação, podemos definir como aquela que incentiva o risco razoável e as incertezas no objetivo de gerar melhores processos, produtos e serviços (sobretudo, mais produtivos e rentáveis). É uma cultura que se baseia na experimentação e na descoberta — existem muitas boas ideias dentro das empresas, que só precisam do ambiente propício para florescer.

Essa cultura, muitas vezes, se choca com fórmulas antigas. Vem daí a dificuldade para que ela nasça e cresça nas grandes organizações, que tem muitos anos de mercado. Em contrapartida, nas startups, ela é quase que uma premissa. Não significa, é claro, que empresas tradicionais não consigam desenvolver uma cultura inovadora. Inclusive, há inúmeros casos que nos mostram que isso é perfeitamente possível (vide a 3M que acabamos de citar).

6 maneiras de promover a inovação corporativa e fazê-la funcionar

Basicamente a cultura de inovação não nasce simplesmente a partir da vontade de inovar dos líderes de uma empresa. É preciso criar as bases para que a cultura inovadora nasça naturalmente, crie raízes e, só então, gere frutos para os negócios.

Luiz Serafim, da 3M, ao explicar os fatores que fazem com que uma empresa seja inovadora, brinca com uma analogia simples: é como fazer um bolo de chocolate, vários ingredientes com seu próprio papel e importância precisam ser utilizados. “Trabalhar de forma assistemática, em apenas alguns fatores [ingredientes], pode gerar resultados pontuais, isolados. É preciso dispor de um sistema de inovação”.

Assim como no preparo de um bolo, os ingredientes e as técnicas trabalham juntos para que a inovação corporativa nasça. Ou seja, é preciso juntar os vários elementos e também estimular essa “massa” para que ela chegue ao ponto certo para ser levada ao forno.

A seguir, veja algumas formas de tornar a inovação orgânica e frutífera que estão sendo utilizadas pelas empresas mais inovadoras do mundo e reflita sobre como você pode implementá-las no seu negócio:

1. Programas colaborativos baseados em Crowdsourcing

Não há dúvidas de que vivemos uma verdadeira corrida pela virtualização de tudo. Os especialistas estão chamando esse fenômeno proporcionado pelo avanço da tecnologia de Era da Transformação Digital. Depois que a internet surgiu em escala comercial, o mundo jamais foi o mesmo. Também o contexto da inovação passou por profundas modificações, especialmente no que diz respeito à aceleração da necessidade de inovar.

Vamos nos ater a um ponto específico: ao surgimento da criação colaborativa em escala nunca antes vista em toda a história. Pessoas que nunca se viram e, em muitos casos, provavelmente nunca estarão juntas, agora podem co-criar, somar ideias e gerar inovações em tempo recorde.

É nesse contexto que o Crowdsourcing surge como uma abordagem potencializadora da inovação corporativa. Você já ouviu falar em Crowdsourcing? Esse termo é a junção das palavras inglesas crowd (multidão, povo, grupo de pessoas) e outsourcing (terceirização). Refere-se à união de um grupo — dezenas, centenas ou até milhares — de pessoas focadas na solução de um determinado problema.

Basicamente, uma empresa pode criar programas colaborativos baseados no conceito de Crowdsourcing para reunir pessoas com perfis, ideias, experiências e habilidades distintas para solucionar desafios diversos, criar novidades, enfim, inovar.

Para facilitar essa colaboração coletiva, são utilizadas plataformas de crowdsourcing — também chamadas de plataformas abertas —, que nada mais são do que sistemas que podem ser acessados pelas pessoas para que, cada uma dentro das suas competências, adicione suas contribuições.

Por exemplo: em 2014, o McDonald’s decidiu dar aos seus clientes a oportunidade de enviar ideias sobre quais tipos de hambúrgueres gostariam de ver nas lojas. Por meio de um site, os consumidores podiam fazer combinações de ingredientes e montar “sanduíches perfeitos”. E as sugestões ficavam abertas para votação do público em geral. Com isso, a companhia conseguiu envolver as pessoas, medir seus interesses e anseios por novos produtos e, o mais importante, identificar oportunidades e lançar inúmeras novas ofertas.

2. Ciclos de inovação baseados em Design Thinking

Outro conceito já consolidado em todo o mundo, e que vem ganhando espaço no Brasil, quando se trata de inovação corporativa é o Design Thinking. Ele nada mais é do que um conjunto de metodologias usadas na hora de abordar problemas, perfeitamente utilizáveis em processos de inovação.

O Design Thinking oferece ferramentas para estimular a inovação de maneira mais eficiente, pois parte do princípio de que todos os aspectos do que está sendo criado ou melhorado devem ser entendidos profundamente. Em outras palavras, ele dá aos profissionais envolvidos em um projeto uma visão tridimensional dos fatos e a capacidade de encontrar respostas novas para problemas velhos.

Em suma, Design Thinking é a maneira como os designers pensam. Eles utilizam o pensamento abdutivo, um raciocínio pouco convencional no meio empresarial para formular questionamentos por meio da apreensão ou da compreensão de fenômenos. Ou seja, eles elaboram perguntas a partir de informações coletadas durante a observação de todo o universo de um problema. Assim, pensando de forma abdutiva, é possível fazer com que a solução seja derivada do problema — que ela se encaixe nele.

Ao criar ciclos de inovação pautados no Design Thinking, as empresas estão estimulando o pensamento em etapas — o que não significa que tenha que ser linear. São, basicamente, três etapas aplicadas: a imersão (mergulho no problema), a ideação (geração de muitas ideias) e a prototipação (criação de protótipos, modelos rudimentares de soluções idealizadas para testar a eficiência).

Também é importante pontuar que com o Design Thinking, as empresas inovam por meio de métodos, não simplesmente pela inspiração. Os ciclos de inovação, ou seja, os projetos e os planos de ação, fazem com que os profissionais estejam em constante formulação de ideias e prototipação, o que faz com que a inovação corporativa se enraíze na cultura organizacional.

Por outro lado, o Design Thinking também evita que produtos, serviços e processos que parecem altamente inovadores sejam rejeitados pelo mercado pelo simples fato de não suprirem todas as dimensões de um problema do consumidor, por exemplo. Afinal, nem toda empresa tem a sorte da Apple, que lançou o primeiro iPhone repleto de problemas técnicos (bateria muito fraca, entre outros) e usabilidade — e nem tem tantos recursos disponíveis para corrigir os erros no meio do caminho.

3. Hackathons

A promoção de hackathons (maratonas de programação) também é uma forma de estimular e promover a inovação corporativa, sobretudo quando se trata de criar soluções inovadoras de tecnologia.

Os hackathons podem ter duração de horas, dias, semanas e até meses. Tudo depende do tamanho do projeto, da finalidade, enfim, de uma série de variáveis. Eles já fazem parte da rotina das empresas mais inovadoras do mundo. 

Um exemplo de hackathon é o Experiance JAM promovido pela Serasa Experian em parceria com a Simplez, que já está na segunda edição. Em maio de 2016, a maratona feita com colaboradores internos durou 38 horas e resultou na criação de soluções para reduzir custos no atendimento ao cliente e também para simplificar processos de autenticação no call center da empresa.

Ao criar hackathons, a empresa está criando eventos de estímulo à criação de soluções digitais. É uma forma divertida de reunir dezenas, centenas e até milhares (quando feitos remotamente) de aficcionados por programação e conseguir que eles implementem ideias novas. A reunião de diversos tipos de talentos costuma ser muito frutífera, pois os profissionais podem colaborar entre si e somar forças para criar.

É possível criar hackathons internos (com o time de TI da empresa), externos (chamando profissionais de fora) e também mistos. No entanto, algumas características desse tipo de maratona devem ser respeitadas:

  • Proporcionar um ambiente com bastante recurso tecnológico.

  • Estabelecer critérios de avaliação bem claros e oferecer prêmios aos participantes.

  • Dar conforto e boa alimentação (considerando que esses profissionais gostam de fast food como pizzas e refrigerantes).

Dentre os benefícios dos hackathons, podemos destacar a rapidez com que as ideias surgem e são implementadas e os baixos custos para a geração de produtos e serviços. Além disso, essas maratonas podem servir como ações de motivação dos profissionais envolvidos, pois são utilizadas dinâmicas de jogos (competitividade saudável), desafios e quebras na rotina do dia a dia operacional.

Quando aberto ao público externo, um hackathon também pode fazer bem para a imagem corporativa (tanto para a reputação mercadológica quanto para a marca de empregadora da empresa).

4. Campanhas de inovação aberta

Promover a inovação aberta também tem sido uma escolha de empresas que entendem o poder da inovação para a sustentabilidade dos negócios. Esse conceito foi criado por Henry Chesbrough, um importante professor do Centro de Inovação da Universidade de Berkeley.

No seu livro Open Innovation, que é um best seller mundial, Chesbrough defende “uma forma mais distribuída e participativa, mais descentralizada de se fazer inovação” — daí a noção de abertura nos esforços de inovação.

Campanhas de inovação aberta nada mais são do que projetos nos quais a empresa busca a contribuição de agentes externos para inovar. De uma certa forma, esse conceito abarca técnicas como o crowdsourcing, entre outras, à medida em que pode utilizá-las para obter contribuições de universitários, cientistas ligados a órgãos diversos. Mas também é possível abrir os esforços de inovação para a colaboração com parceiros de negócios — e até clientes.

Para se ter uma ideia do quanto é importante descentralizar os projetos de inovação e abri-los para que contribuidores externos também participem, basta ver o que diz uma pesquisa realizada NineSigma em 2014: 79% dos executivos entrevistados afirmaram que conseguiram excelentes resultados aos se inspirar em inovações de outras indústrias.

Um exemplo do poder da inovação aberta? O Deutsche Bank, instituição bancária da Alemanha, em parceria com o portal DesignBoom, promoveu em 2014 o Future Bank, que nada mais é do que uma competição internacional de design com o propósito de encontrar ideias inovadoras de produtos e serviços digitais para seus clientes.

5. Capacitação de funcionários

Logicamente, a inovação corporativa também requer que as empresas invistam na conscientização e no aprendizado dos seus colaboradores. Assim como todas as novidades que os líderes querem implementar, os esforços para inovar não podem ser impostos. Conseguir o engajamento das pessoas é fundamental. E elas só vão se engajar quando entenderem a importância e as vantagens que uma abordagem inovadora pode trazer.

Eis algumas dicas de como capacitar os colaboradores para a inovação:

Crie um comitê de inovação

Reúna um grupo multidisciplinar de profissionais para começar a estruturar uma cultura inovadora na empresa. Mescle pessoas que já entendem do tema com estudantes e colaboradores menos experientes.

Se necessário (geralmente é), peça ajuda de uma consultoria especializada. Inúmeros métodos e dinâmicas podem ser aplicados para que esse comitê renda frutos e passe a “evangelizar” o restante da organização no tema.

Invista em treinamentos formais

Cursos in company, on-line e presenciais, pós-graduações, etc. Há muitos tipos de capacitações educacionais que podem ser utilizadas para treinar pessoas em inovação. Criar um programa de incentivo educacional nesse assunto pode render bons frutos no médio e no longo prazo, e muitas empresas têm feito isso.

Promova eventos e palestras

Chamar palestrantes e trazer parceiros de negócios e executivos de empresas amigas para falar sobre inovação também pode gerar resultados positivos. Hoje, com a evolução de ferramentas de vídeo streaming (Hangout, por exemplo), é possível chamar as pessoas para um auditório para que elas vejam o discurso de um especialista do outro lado do mundo, ao vivo. Essa é uma alternativa que pode ser bem produtiva, além de mais barata e logisticamente fácil.

Gere conteúdo sobre o tema

Também é interessante que a estratégia de comunicação interna e endomarketing contemple a criação de conteúdos sobre cultura de inovação corporativa para serem publicados nos canais internos (TV e portal corporativos, intranet, murais, publicações diversas). Uma dica que funciona muito é estimular que os próprios colaboradores escrevam artigos ou gravem vídeos, por exemplo, sobre o assunto.

6. Laboratório de ideias

Por fim, a criação de um laboratório de ideias (os innovation labs) é a nossa última dica para promover o êxito da inovação corporativa.

Laboratórios de ideias, como o próprio nome sugere, são departamentos totalmente dedicados à inovação. Normalmente eles abrigam colaboradores 100% focados ao tema, além de servirem de ponto de encontro para os membros de comitês fixos e temporários de inovação.

Bons laboratórios de ideias são bem equipados para proporcionar a confecção e testes de protótipos. É importante que eles tenham a tecnologia, as ferramentas (físicas e virtuais e os equipamentos (impressora 3D, por exemplo) para facilitar o teste rápido de invenções criativas.

Ao criar um laboratório de ideias, a empresa separa um orçamento específico para esse fim, cria indicadores de desempenho (metas e métricas para mensurar resultados) e dá condições para que seus colaboradores “visualizem” os esforços do negócio para inovar. É como se a inovação passasse a ter um rosto dentro da organização. Ela ganha status de time, embora seja uma área para ser utilizada por todos. Além disso, gera estímulos à pesquisa e à investigação, algo que, invariavelmente, promove pensamentos e atitudes inovadoras.

É importante, no entanto, que sejam bem claros os papéis dentro de um laboratório de inovação. É necessário ter pessoal técnico (profissionais de TI, de manutenção de equipamentos, etc.), mas também pessoas que podem estabelecer e construir relacionamentos com parceiros externos (executivos de negócio, estudiosos do tema, etc.). A ideia é apostar na pluralidade, na criação de um grande quebra-cabeças, no qual várias “peças” se encaixem e proporcionem um ambiente propício a inovar.

Em pouco tempo, é também aconselhável que o laboratório de inovação se auto financie, seja por meio da criação de receita própria (entrega de novos produtos e serviços, por exemplo), seja na colaboração com projetos dos diversos projetos dos departamentos que nele vão se apoiar.

Vários desafios se interpõem no caminho das empresas para que elas se tornem mais inovadoras, incluindo a necessidade de atender às expectativas financeiras e continuar ou estender a vida dos produtos e serviços existentes.

Mas, muito provavelmente, o maior desafio seja mesmo a criação de uma cultura que suporte e abraça a inovação. A cultura corporativa pode não parecer uma barreira significativa, mas se olharmos com bastante sinceridade para o comportamento humano (empresas são formadas por pessoas), veremos que a resistência ao novo é um dos fatores que mais nos define.

Logo, vamos terminar este texto chamando a atenção para a busca de mudanças na cultura organizacional. Nenhuma das dicas citadas aqui será suficiente se a inovação não encontrar um ambiente fértil para germinar. Ou seja, é preciso conscientizar e ganhar as pessoas, além de criar processos de inovação, investir em métodos e ferramentas para proporcionar estímulo ao pensamento e ao agir inovador.

O que você achou das nossas dicas? Você já utiliza alguma delas para estimular a inovação corporativa no seu negócio? Deixe seu comentário!

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