Pokémon GO: a revolução da tecnologia de geolocalização. Entenda!

A realidade aumentada deveria ser a vedete da febre do momento, o Pokémon Go. Mas engana-se quem acredita que o principal valor desse game, aparentemente ingênuo, é a popularização dessa tecnologia. Outro engano é de que a diversão é limitada ao universo das pessoas físicas, jovens e adultos que se aventuram a sair por aí à caça de monstrinhos. Na verdade, o jogo dá uma aula de como engajar pessoas e de como essa mobilização pode ser transformada em atitude inovadora dentro das empresas.

É certo que as novas tecnologias vêm ganhando o mundo e o gosto das pessoas. Cada vez mais presente no cotidiano de todos, elas encantam, facilitam a vida e apresentam um novo mundo a ser explorado, com novidades lançadas diariamente. Dentre elas, estão a Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), Computação Cognitiva, Mobilidade e Mobile First, Inteligência Artificial, Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Geoprocessamento.

O Pokémon Go alia algumas dessas tecnologias e, com isso, tem a capacidade de transportar seus jogadores para uma nova realidade, carregada de experiências imersivas e sensoriais que produzem um potencial de engajamento raro de ser visto. Neste post, saiba mais sobre o game e como ele pode ser fundamental para projetos inovadores!

Uma ideia na cabeça hoje, milhões de seguidores amanhã

O famoso jogo foi projetado pela Niantic, que entrou há apenas seis anos no mercado como uma start-up Google — que tinha como negócio explorar novas formas de interação utilizando serviços de geolocalização. O potencial dos empreendedores que criaram a Niantic é tão grande que, em 2000, ela iniciou um projeto de simulação da Terra, que mais tarde veio a se tornar nada menos que o Google Earth, após sua aquisição pela empresa Keyhole, já em 2004.

Outros acontecimentos se sucederam na trajetória da Niantic e, hoje, ela é uma empresa independente que colhe muito frutos com a recente parceria com a Nintendo para o lançamento do Pokémon Go.

A grande “jogada” que encantou números chocantes de seguidores, que fizeram o download do aplicativo em seus smartphones, foi a exploração inteligente de algumas novas tecnologias. Fazer os jogadores explorarem o mundo real para alcançarem metas virtuais, características das estratégias de gameficação, é o que torna esse jogo tão diferenciado e capaz de mobilizar e socializar milhões de adeptos em todo o mundo.

O sucesso é tão grande, que as ações da criadora, a Nintendo, valorizaram significativamente em poucos dias! E uma das grandes “sacadas” da Niantic e da Nintendo foi repaginar, de maneira drástica, uma franquia de 20 anos, incrementando o tradicional mangá com nada menos que a tecnologia da realidade aumentada, ainda emergente no mercado e mais ainda incipiente no dia a dia das pessoas.

A solução pensada, em si, nem traz grandes estratégias de gameficação, focando basicamente na captura de personagens na tela de celulares enquanto seus usuários se deslocam pelas ruas das cidades de diversos países. O “pulo do gato” fica então para a capacidade de engajamento, como só as tecnologias disruptivas conseguem fazer.

O poder da combinação de tecnologias emergentes

A combinação sem precedentes de tecnologias de forma acessível a qualquer pessoa é o que torna o Pokémon Go pioneiro e o coloca na posição de um verdadeiro divisor de águas no mundo dos games.

Para esclarecer uma das tendências tecnológicas adotadas, a gameficação, pode-se dizer, de forma simplista, que se trata uma estratégia que usa ideias e mecanismos de jogos para incentivar alguém a fazer algo. Assim, técnicas de design de jogos são incorporadas para enriquecer contextos, inclusive empresariais, com recursos lúdicos que atraem, engajam e fidelizam participantes.

Como características, a gamificação traz aspectos bastante adequados quando o objetivo é extrapolar o cotidiano das pessoas e ingressar no meio corporativo: ela estimula uma competitividade saudável, gera um sentimento de conquista e possibilita medir o desempenho de quem se dispõe a entrar nessa aventura.

Em termos de inovação tecnológica, os destaques são o uso da realidade aumentada e do georreferenciamento.

Realidade Aumentada

Também é denominada realidade misturada, exatamente porque mistura o mundo concreto com o virtual. A tecnologia permite interação entre usuários e dispositivos, em uma nova dimensão totalmente imersiva do ponto de vista do usuário.

Georreferenciamento ou geolocalização

É um conjunto de tecnologias capazes de coletar e tratar informações de localização territorial para o desenvolvimento constante de novas aplicações. Outro incremento tecnológico totalmente explorado pelo jogo é a mobilidade, esse movimento já internalizado pela sociedade, de forma irreversível, com a adoção de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, em tarefas do cotidiano.

Sem a disseminação da possibilidade de ter alguma solução literalmente presente na vida das pessoas, 24 horas por dia, sete dias por semana, a viralização de iniciativas como o Pokémon Go jamais seria possível. Tudo isso que está sendo observado em relação ao maior sucesso da história de jogos para celulares está inserido no contexto da Internet das Coisas e da Geografia das Coisas.

A primeira contempla uma rede de dispositivos, pessoas ou equipamentos conectados. A segunda valoriza e explora o “onde?”. Com todos esses adventos, a relação homem-máquina, tão explorada na ficção científica como algo que representa o futuro, já faz parte do nosso presente. A Inteligência Geográfica permite não só identificar um “território”, mas também entendê-lo e utilizar esse entendimento para compor estratégias, inclusive de negócios. Não há dúvidas: a era da Revolução Geoespacial já começou!

O que uma empresa pode aprender com o Pokémon Go

Se a obsessão generalizada causada em pessoas de todas as idades no mundo inteiro puder ser transportada para os ambientes corporativos, o resultado será funcionários envolvidos em causas colocadas como prioritárias pela empresa.

E se essa causa for um apelo à inovação? Será que a estratégia do jogo de busca a criaturinhas pode ser reaplicada nas empresas para criar ou fortalecer a cultura organizacional em torno da inovação? Será que colaboradores podem buscar pelo objetivo de ser um agente de inovação com a mesma determinação que os jogadores caçam Pokémons?

Bem, estabelecer e consolidar uma cultura da inovação não é tarefa fácil, mas certamente o caminho é o do engajamento das pessoas. Ao contrário do que se pensa, inovação não está só em tecnologias, mas também na capacidade das pessoas de responderem, de forma inusitada, a problemas. Nas empresas, ser agente de inovação é estar preparado para criar um produto ou serviço inéditos ou, ainda, melhorar, de forma original e surpreendente, um processo.

O Pokémon dá verdadeiras lições de como engajar pessoas, atrai-las a participar, motivá-las a fazer o extraordinário, animá-las a se esforçar e tudo isso sem receber qualquer tipo de remuneração que não seja a satisfação de ter conseguido!

Empresas já estão tirando proveito das estratégias por trás do Pokémon Go

Uma forma de usufruir da onda do jogo nos negócios é aproveitar o deslocamento dos jogadores pelos espaços da cidade para atrair pessoas para o espaço físico das empresas. Com a funcionalidade de “atrair Pokémons” para a localização geográfica desejada, empreendedores têm se beneficiado com a oportunidade de trazer mais pessoas para perto de seus pontos de venda.

O marketing também está sendo bem explorado pelas empresas, que têm sido rápidas na divulgação de Pokémons localizados no seu ambiente ou, ainda, de clientes que acabaram de capturar uma das criaturinhas ali dentro. Outra tática tem sido divulgar a identificação de Pokémons raros na região onde o negócio está instalado. As redes sociais estão “bombando” com fotos que comprovam o feito!

E como a criatividade, especialmente do empreendedor brasileiro, não tem fim, uma nova possibilidade de atrair o cliente e de até torná-lo fiel vem sendo a oferta de tomadas para recarga da bateria do celular. Alguns estabelecimentos estão investindo, inclusive, na customização das tomadas com adesivos com as formas dos monstrinhos e placas externas convidando o usuário a “recarregar as energias” ali.

Provavelmente, as jogadas de marketing não vão parar por aí e, em breve, novas oportunidades para as empresas devem estar disponíveis, como patrocínios de pontos de captura de Pokémons, os chamados Pokéstops.

Eis mais uma lição do tão recente e tão emblemático e popular “joguinho”: explorar todas as possibilidades do ecossistema que envolve um negócio. Usar criatividade e aproveitar tudo o que o contexto pode oferecer para incrementar estratégias e tirar o melhor proveito possível.

Lições do Pokémon Go para toda empresa inovar

Incorporar as premissas da gamificação é um dos caminhos para estimular colaboradores em prol de objetivos. Nesse modelo, usuários são recompensados por atingir pontuações, avançar fases e conquistar premiações simbólicas. O que os move é a euforia de ter subido um novo degrau e, na maioria das vezes, só subir um degrau!

Por que então nas empresas tudo deve estar atrelado a remuneração ou benefícios para que os colaboradores participem? Porque a base de tudo é a cultura organizacional e, se ela não estiver legitimada pelo corpo funcional, de nada adiantam estratégias de atração de participantes para determinado desafio, porque o convite soará “forçado” e a participação será desmotivada e improdutiva.

Investir na cultura de inovação deve ser uma tecla batida repetidas vezes, assim como está acontecendo neste post! Só ela irá preparar o terreno para que solicitações por atuação diferenciada sejam atendidas e para que o caminho esteja traçado para receber soluções inovadoras afloradas dentro da própria empresa.

Já está claro que um meio para se criar essa cultura é a de valorizar as ideias dos funcionários. E ter uma política de gestão de inovação é o que viabiliza isso.

É preciso gerir ideias e colocar o colaborador no centro da inovação

O trabalho colaborativo tem ganhado os escritórios das empresas mais inovadoras, onde nem só de criatividade vive uma estratégia de sucesso. Nessas empresas que já trilham o caminho da inovação, a participação coletiva é, sem dúvida, a cereja do bolo.

Em organizações com esse perfil, o potencial de uma ideia nunca é descartado. Pode até ser deixado de lado temporariamente, mas fica ali, guardado em um banco de dados para que seja útil quando uma nova realidade se apresentar e, quem sabe, estar ali a solução para um grande problema que hoje sequer existe.

Considerar que toda ideia possui algum potencial a ser aproveitado é premissa para quem acredita em inovação. Por isso, é preciso aumentar o grau de comprometimento de colaboradores com projetos e metas da empresa, dando a eles o espaço necessário para que sejam indutores das mudanças e da melhoria contínua das estratégias e realizações do negócio.

E quando se fala em inovação, não se trata necessariamente de criações mirabolantes e conceitos complexos. Inovar é encontrar novas formas — mais eficientes e menos dispendiosas — de desenvolver as atividades do dia a dia. Inovar é lançar mão da criatividade de maneira focada, sem esquecer a utilidade real de cada criação.

Inovação não é só inspiração, é preciso método para colher os melhores frutos

Mas como aproveitar o potencial inovador já instalado no capital humano, na prática? A resposta é clara: é fundamental institucionalizar um programa de gestão de inovação nas empresas, independentemente do seu ramo de atuação e do seu porte. Esses programas são compostos por vertentes de prospecção externa (novidades no mercado e parcerias com instituições de pesquisa e fornecedores) e outras duas centradas no público interno da empresa: estabelecer uma cultura sólida da inovação e instituir métodos para gestão de ideias.

A consolidação de uma cultura organizacional focada na inovação contempla tudo o que está sendo dito aqui. Já uma metodologia de gestão de ideias prevê algumas etapas, como coleta de propostas, avaliação multidimensional, discussão para aprimoramento e combinação de ideias. Ao final, o que se pode ter são novas direções para temas relevantes para o negócio.

Ter um modelo corporativo de gestão de ideias formaliza a prática de ouvir e prestigiar ideias cuja aplicação contribua para a melhoria contínua de uma organização. Por isso, é tão importante uma metodologia estruturada para a escuta atenta dos colaboradores, com regras para o recebimento e avaliação dos insights gerados. Além disso, é preciso contar com formas de reconhecimento aos autores daquelas ideias que efetivamente possam trazer resultados.

Para que esse tipo de mobilização não perca força junto à comunidade colaborativa, é essencial que as ideias colhidas sejam acompanhadas e geridas de forma transparente, para que os autores se sintam reconhecidos no processo de implementação. É preciso alimentar iniciativas dessa espécie para que a motivação, participação e colaboração dos usuários não se percam por falta de estimulo.

A tendência de pessoas socializando em torno de objetivos de um game e de salas sem divisórias com colaboradores totalmente engajados em metas e objetivos veio para ficar. Se uma empresa não possui know-how para começar do zero uma estratégia de inovação, ela pode contar com consultorias e empresas especializadas no mercado que oferecem não só métodos como também ferramentas que se traduzem em plataformas colaborativas — que potencializam a geração de ideias e soluções para a resolução de problemas empresariais.

O objetivo de programas estruturados de gestão de ideias, que costumam ter como principal ação o lançamento de campanhas para coleta interna de ideias, é fomentar a colaboração. Essa mesma colaboração que contribui para o sucesso do Pokémon Go!

Acredita nessa discussão do engajamento como fator de sucesso de uma inovação? Então compartilhe nas suas redes sociais!

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